domingo, 18 de junho de 2017

Fotos — Por que é bom pensar antes de compartilhar?

Suas férias estão muito legais e você quer contar tudo pros seus amigos. Mas como? Você . . .
  1.  manda um cartão-postal pra cada um deles?
  2.  manda um e-mail pra todos os seus amigos?
  3.  posta fotos na internet?
Quando seus avós tinham a sua idade, a opção “A” talvez fosse a única coisa que podiam fazer.
Na época dos seus pais, talvez fosse possível escolher a opção “B”.
Hoje muitos jovens preferem a opção “C”. E você? Seus pais deixam você postar fotos na internet? Nesse caso, este artigo vai te ajudar a ver por que é bom pensar antes de compartilhar suas fotos.

 Qual é o lado bom?

É rápido. “Quando eu faço uma viagem muito legal ou estou me divertindo muito com meus amigos, eu posso compartilhar logo as fotos do que está acontecendo enquanto ainda tem graça.” — Melanie.
É prático. “É bem mais fácil dar uma olhada nas últimas fotos que meus amigos postaram do que mandar um e-mail pra saber como eles estão.” — Jordan.
Diminui as distâncias. “Tenho amigos e parentes que moram longe. Se eles sempre postam fotos e eu acompanho o que eles postam, é como se eu estivesse com eles todos os dias!” — Karen.

 Qual é o lado ruim?

Você pode ficar em perigo. Se sua câmera tem um sistema de localização, as fotos que você compartilha podem revelar mais do que você gostaria. O site Digital Trends comenta: “Se você postar na internet fotos ou outras mídias com sua localização exata, qualquer pessoa com o programa de rastreamento certo pode saber onde você está. E essa pessoa pode não ter boas intenções.”
É claro que alguns criminosos estão mais interessados em saber onde você não está. Veja um caso publicado no site Digital Trends. Três ladrões invadiram 18 casas quando os moradores tinham saído. Como eles sabiam que ninguém estaria em casa? Eles acompanharam a movimentação dos moradores pela internet, algo que os especialistas chamam de cybercasing. O resultado? Um prejuízo de mais de 300 mil reais.
Você pode acabar vendo o que não presta. Algumas pessoas não têm a menor vergonha de postar praticamente tudo para o mundo ver. Uma jovem chamada Sara conta: “O problema é quando você visita a página de pessoas que não conhece. Fazer isso é como visitar uma cidade onde você nunca foi sem ter um mapa. Certeza que você vai acabar caindo num lugar que não queria.”
Você pode perder tempo. Uma jovem chamada Yolanda diz: “É muito fácil ficar horas vendo as últimas fotos e os comentários de todo mundo. Você pode chegar ao ponto de não conseguir largar o celular nem por um segundo, só pra ver se chegou algo novo.”
Se costuma compartilhar fotos na internet, você precisa saber se controlar
Samantha, de 13 anos, concorda: “Eu tenho que ficar de olho no tempo que gasto nesses sites. Quem decide ter uma rede social para compartilhar fotos precisa saber se controlar.”

 O que você pode fazer?

  • Esteja decidido a não ver nada ofensivo. A Bíblia diz: “Não porei nada sem valor diante dos meus olhos.” — Salmo 101:3.
    “De vez em quando, eu verifico as postagens das pessoas que sigo. Se elas postam coisas erradas, eu paro de seguir essas pessoas.” — Steven.
  • Não mantenha contato com pessoas que não seguem os mesmos princípios que você. Você pode ser influenciado por elas e acabar abrindo mão dos seus princípios. A Bíblia diz: “Não se deixem enganar. Más companhias corrompem a boa moral.” — 1 Coríntios 15:33, nota.
    “Não fique olhando fotos nas redes sociais só porque são as mais comentadas. Isso porque muitas vezes elas têm palavrões, pessoas sem roupas e outras coisas que não prestam.” — Jessica.
  • Decida quanto tempo vai gastar olhando e postando fotos. A Bíblia diz: “Estejam bem atentos para não andarem como tolos, mas como sábios, usando o seu tempo do melhor modo possível.” — Efésios 5:15, 16.
    “Eu parei de seguir pessoas que postam um monte de coisa toda hora. Por exemplo, tem gente que vai na praia e posta 20 fotos da mesma concha. Fala sério! Você gasta um tempão pra olhar esse monte de fotos!” — Rebekah.
  • Tome cuidado para que as fotos que você posta não deem a impressão de que o mundo gira em torno de você. Paulo, um escritor da Bíblia, diz: “Digo a cada um de vocês que não pense de si mesmo mais do que é necessário pensar.” (Romanos 12:3) Não vá logo pensando que seus amigos vão amar ver você nas fotos e ver as coisas que você faz.
    “Tem gente que não para de postar selfies. Fica a dica: se você é meu amigo, eu já sei como você é. Não preciso que fique me lembrando disso.” — Allison.

sábado, 10 de junho de 2017

Como a Bíblia chegou até nós

O Autor e Originador da Bíblia também cuidou que ela fosse preservada. Ele inspirou a seguinte declaração registrada nas Escrituras:
“A palavra do nosso Deus permanece para sempre.”— Isaías 40:8.
Essa declaração é verdadeira, embora nenhum dos manuscritos originais das Escrituras Hebraicas e Aramaicas * ou das Escrituras Gregas Cristãs tenha sido preservado até os nossos dias. Assim, como podemos ter certeza de que o conteúdo de nossa Bíblia atual reflete fielmente os escritos originais inspirados?

COPISTAS PRESERVARAM A PALAVRA DE DEUS

Com relação às Escrituras Hebraicas, a resposta em parte está relacionada a uma antiga tradição estabelecida por Deus, que exigia que o texto fosse copiado. * Por exemplo, Jeová instruiu os reis de Israel a fazer a sua própria cópia da Lei. (Deuteronômio 17:18) Além disso, Deus deu aos levitas a responsabilidade de preservar a Lei e ensiná-la ao povo. (Deuteronômio 31:26; Neemias 8:7) Após o exílio babilônico, surgiu uma classe de copistas, ou escribas (soferins). (Esdras 7:6, notas) Com o tempo, esses escribas fizeram muitas cópias dos 39 livros das Escrituras Hebraicas.
No decorrer dos séculos, escribas copiaram cuidadosamente esses livros. Durante a Idade Média, um grupo de escribas judeus, conhecidos como massoretas, manteve essa tradição. O Códice de Leningrado, que data de 1008/1009 EC, é o manuscrito massorético completo mais antigo. No entanto, na metade do século 20, foram descobertos entre os Rolos do Mar Morto cerca de 220 manuscritos ou fragmentos bíblicos. Esses manuscritos  eram mais de mil anos mais antigos do que o Códice de Leningrado. Uma comparação entre os Rolos do Mar Morto e o Códice de Leningrado confirma um fato importante: embora os Rolos do Mar Morto contenham algumas variações na fraseologia, nenhuma dessas variações afeta o sentido.
O que dizer dos 27 livros das Escrituras Gregas Cristãs? Esses livros foram escritos por alguns dos apóstolos de Jesus Cristo e alguns dos seus primeiros discípulos. Os primeiros cristãos fizeram cópias desses livros, seguindo a tradição dos escribas judeus. (Colossenses 4:16) Apesar das tentativas do imperador romano Diocleciano e de outros para destruir os escritos dos primeiros cristãos, milhares de fragmentos e manuscritos antigos foram preservados até os nossos dias.
Os escritos cristãos também foram traduzidos para outros idiomas. As primeiras traduções da Bíblia foram feitas em idiomas antigos, como armênio, copta, etíope, georgiano, latim e siríaco.

COMO DEFINIR O TEXTO-PADRÃO HEBRAICO E GREGO A SER TRADUZIDO

Nem todas as cópias dos antigos manuscritos da Bíblia têm uma fraseologia idêntica. Então, como podemos saber qual era o conteúdo do texto original?
Podemos comparar essa situação com a seguinte ilustração: um professor pede a cem alunos para copiar um capítulo de um livro. Mesmo que o texto original daquele capítulo se perdesse mais tarde, uma comparação entre as cem cópias ainda revelaria o conteúdo do texto original. Os alunos poderiam ter cometido alguns erros, mas é pouco provável que todos eles tivessem cometido os mesmos erros. De modo similar, quando eruditos comparam os milhares de fragmentos e cópias de livros antigos da Bíblia, conseguem identificar os erros dos copistas e determinar o que o texto original dizia.
“Pode-se dizer com segurança que nenhuma outra obra da antiguidade foi transmitida com tanta exatidão”
Como podemos ter certeza de que as ideias encontradas nos textos originais da Bíblia foram transmitidas com exatidão? Falando sobre o texto das Escrituras Hebraicas, o erudito William H. Green disse: “Pode-se dizer com segurança que nenhuma outra obra da antiguidade foi transmitida com tanta exatidão.” Sobre as Escrituras Gregas Cristãs, ou o chamado Novo Testamento, o erudito F. F. Bruce escreveu: “As provas que confirmam a  exatidão dos nossos escritos do Novo Testamento têm muito mais peso do que as de muitos escritos de autores clássicos, cuja autenticidade ninguém sonha em questionar.” Ele acrescentou: “Se o Novo Testamento fosse um conjunto de escritos não religiosos, sua autenticidade seria encarada pela maioria como algo além de contestação.”
Capítulo 40 do livro de Isaías nos Rolos do Mar Morto (datado de 125 a 100 AEC)
Quando comparado com manuscritos hebraicos de cerca de mil anos mais tarde, encontraram-se somente pequenas diferenças, a maioria na grafia
Capítulo 40 do livro de Isaías no Códice de Alepo, um importante manuscrito hebraico massorético de cerca de 930 EC
Texto hebraico: A Tradução do Novo Mundo das Escrituras Hebraicas (1953-1960, em inglês) foi baseada na Biblia Hebraica, de Rudolf Kittel. Desde então, edições atualizadas do texto hebraico, como a Biblia Hebraica Stuttgartensia e a Biblia Hebraica Quinta,incluíram pesquisas recentes com base nos Rolos do Mar Morto e em outros manuscritos antigos. Essas obras eruditas reproduzem o Códice de Leningrado e incluem notas com textos comparativos de outras fontes, como o Pentateuco samaritano, os Rolos do Mar Morto, a Septuaginta grega, o Targum Aramaico, a Vulgata latina e a Pesitosiríaca. As edições da Biblia Hebraica Stuttgartensia e da Biblia Hebraica Quinta foram consultadas na preparação da atual revisão daTradução do Novo Mundo.
Texto grego: No final do século 19, os eruditos B. F. Westcott e F.J.A. Hort compararam manuscritos e fragmentos existentes da Bíblia na preparação de um texto grego padrão que eles acreditavam refletir fielmente os escritos originais. Na metade do século 20, a Comissão da Tradução do Novo Mundo da Bíblia usou o texto-padrão desses eruditos como base para sua tradução. Foram usados também outros papiros antigos, provavelmente datados do segundo e do terceiro séculos EC. Desde então, mais papiros ficaram disponíveis. Além disso, textos-padrão como os de Nestle e Aland e das Sociedades Bíblicas Unidas refletem pesquisas recentes de eruditos. Algumas das descobertas dessas pesquisas foram incluídas nesta revisão da Bíblia.
Com base nesses textos-padrão, fica claro que alguns versículos das Escrituras Gregas Cristãs encontrados em traduções mais antigas, como a tradução Almeida, foram, na verdade, acréscimos feitos posteriormente por copistas e nunca fizeram parte das Escrituras inspiradas. No entanto, visto que a divisão dos versículos normalmente aceita em traduções da Bíblia foi determinada no século 16, a omissão desses versículos deixa lacunas na numeração de versículos de muitas Bíblias. Os textos são Mateus 17:21; 18:11;23:14; Marcos 7:16; 9:44, 46; 11:26; 15:28; Lucas 17:36; 23:17; João 5:4; Atos 8:37; 15:34; 24:7; 28:29 e Romanos 16:24. Nesta edição revisada, esses versículos omitidos são indicados por uma nota no local da omissão.
 Sobre a conclusão longa de Marcos 16 (versículos 9-20) e a conclusão curta desse capítulo, bem como a fraseologia deJoão 7:53–8:11, está claro que nenhum desses versículos fazia parte dos manuscritos originais. Por isso, esses textos espúrios, ou seja, que não pertenciam ao texto original, não foram incluídos nesta revisão. *
Em alguns lugares, a fraseologia também foi ajustada para incorporar o que eruditos geralmente aceitam como o reflexo mais autêntico dos escritos originais. Por exemplo, de acordo com alguns manuscritos,Mateus 7:13 diz: “Entrem pelo portão estreito, porque largo é o portãoe espaçosa é a estrada que conduz à destruição.” Em edições anteriores da Tradução do Novo Mundo, a expressão “é o portão” não foi incluída no texto. No entanto, estudos posteriores dos manuscritos levaram à conclusão de que a expressão “é o portão” estava no texto original. Assim, ela foi incluída nesta edição revisada. Muitos refinamentos similares foram feitos. Mas esses ajustes são pequenos e nenhum deles muda a mensagem básica da Palavra de Deus.
Manuscrito em papiro de 2 Coríntios 4:13–5:4, de cerca de 200 EC

Por que você pode confiar nos Evangelhos da Bíblia


Eles estão fazendo um tremendo sucesso. Inspiram filmes milionários . . . e best sellers . . . São adotados por seitas cristãs, geram religiões, dão origem a teorias conspiratórias.” — SUPER INTERESSANTE, REVISTA BRASILEIRA DE NOTÍCIAS.
QUAL o motivo de tanta empolgação? A revista comentava que recentemente tem surgido muito interesse e atividade em torno de uma coleção de supostos evangelhos, cartas e apocalipses descobertos em meados do século 20 em Nag Hammadi e em outros lugares no Egito. Esses e outros documentos desse tipo são geralmente chamados de escritos gnósticos ou apócrifos. *

Houve uma conspiração?

Numa época em que as pessoas são céticas a respeito da Bíblia e das religiões ortodoxas, os escritos gnósticos ou apócrifos parecem ter uma boa receptividade. Esses escritos têm influenciado bastante o modo como muitos encaram os ensinos de Jesus Cristo e do próprio cristianismo. Como comentou certa revista: “O Evangelho de Tomé e outros apócrifos falam ao coração de um contingente que não para de crescer nos tempos atuais: os ávidos por espiritualidade, mas desconfiados da religião.” Calcula-se que só no Brasil “há pelo menos 30 grupos cujas crenças são baseadas nos apócrifos”.
A descoberta desses documentos popularizou várias teorias. Uma delas é a de que no quarto século EC a Igreja Católica fez uma conspiração para esconder a verdade sobre Jesus; outra diz que alguns relatos de sua vida apresentados nos escritos apócrifos foram ocultados e que os quatro Evangelhos nas Bíblias atuais foram alterados. Elaine Pagels, professora universitária de religião, comentou  o assunto da seguinte forma: “Agora começamos a perceber que aquilo que chamamos de cristianismo — e o que identificamos como tradição cristã — na verdade representa apenas uma pequena seleção de fontes específicas de textos, escolhidas entre dezenas de outras.”
Na opinião de eruditos como Elaine Pagels, a Bíblia não é a única fonte para a fé cristã; existem outras, como os escritos apócrifos. Por exemplo, um programa da BBC com o tema Bible Mysteries (Mistérios da Bíblia) — “A verdadeira Maria Madalena” mostrou que os escritos apócrifos apresentam Maria Madalena como “instrutora e líder espiritual para os outros discípulos”. Disse também que “ela não é apenas uma discípula; ela é o apóstolo para os apóstolos”. Sobre o suposto papel de Maria Madalena, Juan Arias escreveu no jornal brasileiro O Estado de S. Paulo: “Hoje tudo leva a pensar que o primeiro movimento cristão, fundado por Jesus, era profundamente ‘feminino’, pois as primeiras igrejas domésticas eram as casas das mulheres que, já então, oficiavam como sacerdotisas ou bispas.”
Para muitos, as fontes apócrifas parecem ter muito mais peso do que a fonte bíblica. Essa preferência, porém, suscita algumas perguntas importantes: Os escritos apócrifos são uma fonte legítima para a fé cristã? Quando contradizem claramente os ensinos da Bíblia, em que fonte devemos acreditar — na Bíblia ou nos livros apócrifos? Será que houve realmente uma conspiração no quarto século para ocultar esses livros e alterar os quatro Evangelhos com o objetivo de omitir informações importantes sobre Jesus, Maria Madalena e outros? Para responder a essas perguntas, examinemos um dos quatro Evangelhos da Bíblia, o Evangelho de João.

Evidências do Evangelho de João

No começo do século 20 foi encontrado no Egito um valioso fragmento do Evangelho de João. Esse fragmento é conhecido como Papiro Rylands 457 (P52). Ele contém o que nas Bíblias modernas corresponde a João 18:31-33, 37, 38 e está guardado na Biblioteca John Rylands, Manchester, Inglaterra. Trata-se do mais antigo fragmento de manuscrito das Escrituras Gregas Cristãs descoberto até hoje. Muitos eruditos acreditam que ele foi escrito por volta de 125 EC, apenas uns 25 anos depois da morte de João. O incrível é que o texto desse fragmento concorda quase integralmente com o que aparece em manuscritos posteriores. O fato de que uma cópia tão antiga do Evangelho de João já circulava pelo Egito, onde o fragmento foi encontrado, apoia a conclusão de que as boas novas segundo João foram realmente registradas no primeiro século EC e pelo próprio João, como indica a Bíblia. Portanto, o livro de João foi escrito por uma testemunha ocular.
Por outro lado, todos os escritos apócrifos datam do segundo século em diante, cem anos ou mais depois dos eventos que eles relatam. Alguns peritos tentam argumentar que os apócrifos se baseiam em textos ou tradições anteriores, mas não existe prova disso. Assim, faz sentido a pergunta: Em que você depositaria mais fé — no registro de testemunhas  oculares ou no registro de pessoas que viveram cem anos depois dos acontecimentos? A resposta é óbvia. *
O Papiro Rylands 457 (P52), fragmento do Evangelho de João datado do segundo século EC, foi escrito apenas algumas décadas depois do original
E o que dizer da afirmação de que os Evangelhos da Bíblia foram alterados com o objetivo de ocultar certos relatos da vida de Jesus? Há alguma evidência de que o Evangelho de João, por exemplo, tenha sido alterado no quarto século a fim de distorcer os fatos? Para responder a essa pergunta, precisamos ter em mente que uma das fontes principais das Bíblias atuais é o manuscrito do quarto século conhecido como Vaticano 1209. Se nossa Bíblia contivesse mudanças feitas no quarto século, então essas mudanças apareceriam nesse manuscrito. Felizmente, outro manuscrito que contém a maior parte de Lucas e João, conhecido comoBodmer 14, 15 (P75), data de 175 EC a 225 EC. Segundo os especialistas, o seu texto se aproxima muito do texto do Vaticano 1209. Em outras palavras, não foram feitas alterações significativas nos Evangelhos da Bíblia, e temos o Vaticano 1209 para provar isso.
Não há evidências, documentais ou outras, que provem que o texto de João — ou dos outros Evangelhos — tenha sido alterado no quarto século. Depois de examinar uma coletânea de fragmentos de manuscritos encontrados em Oxirrinco, Egito, o Dr. Peter M. Head, da Universidade de Cambridge, escreveu: “Em termos gerais, esses manuscritos confirmam o texto dos grandes unciais [manuscritos escritos em letras maiúsculas, do quarto século em diante], que são a base das edições críticas modernas. Não encontramos nada aqui que requeira um entendimento drasticamente diferente do texto primitivo do NT [Novo Testamento].”
Do livro Bibliorum Sacrorum Graecus Codex Vaticanus, 1868
O manuscrito Vaticano 1209, do quarto século, acima, mostra que houve poucas mudanças textuais nos Evangelhos

A que conclusão podemos chegar?

Os quatro Evangelhos canônicos — Mateus, Marcos, Lucas e João — eram bem aceitos entre os cristãos pelo menos já em meados do segundo século. Diatessaron (palavra grega que significa “por meio [dos] quatro”), uma obra de Taciano muito usada e que foi compilada entre 160 e 175 EC, se baseou apenas nos quatro Evangelhos canônicos e em nenhum dos “evangelhos” gnósticos. (Veja o quadro “Uma das primeiras defesas dos Evangelhos”.) Também é interessante o comentário de Irineu, um dos Pais da Igreja, que viveu na última metade do segundo século EC. Ele afirmou que com certeza são quatro os Evangelhos, assim como são quatro os cantos do globo e quatro os ventos cardeais. Embora suas comparações possam ser questionáveis, seu argumento apoia a ideia de que, na época, existiam apenas quatro Evangelhos canônicos.
O que todos esses fatos mostram? Que as Escrituras Gregas Cristãs como as temos hoje — incluindo os quatro Evangelhos — permaneceram praticamente inalteradas do segundo século em diante. Não há nenhum motivo válido para acreditar que tenha havido uma conspiração no quarto século com o objetivo de alterar ou ocultar qualquer parte das Escrituras  inspiradas por Deus. Pelo contrário, o erudito bíblico Bruce Metzger escreveu: “No fim do segundo século, . . . conseguiu-se uma forte unanimidade com respeito à maior parte do Novo Testamento entre as muitas congregações de crentes, espalhadas não apenas por todo o mundo mediterrânico, mas também por uma região que se estendia da Grã-Bretanha à Mesopotâmia.”
Os apóstolos Paulo e Pedro eram defensores da verdade da Palavra de Deus. Os dois deram fortes alertas aos seus companheiros cristãos sobre aceitar ou acreditar em qualquer coisa diferente do que tinham sido ensinados. Por exemplo, Paulo disse a Timóteo: “Ó Timóteo, guarda o que te foi confiado, desviando-te dos falatórios vãos, que violam o que é santo, e das contradições do falsamente chamado ‘conhecimento’. Por ostentarem tal conhecimento, alguns se desviaram da fé.” Pedro disse: “Não, não foi por seguirmos histórias falsas, engenhosamente inventadas, que vos familiarizamos com o poder e a presença de nosso Senhor Jesus Cristo, mas foi por nos termos tornado testemunhas oculares da sua magnificência.” — 1 Timóteo 6:20, 21; 2 Pedro 1:16.
Séculos atrás, o profeta Isaías foi inspirado a dizer: “Secou-se a erva verde, murchou a flor; mas, quanto à palavra de nosso Deus, ela durará por tempo indefinido.” (Isaías 40:8) Podemos ter a mesma certeza de que Aquele que inspirou as Escrituras Sagradas também as preservou ao longo das eras para que “toda sorte de homens sejam salvos e venham a ter um conhecimento exato da verdade”. — 1 Timóteo 2:4.

Uma das primeiras defesas dos Evangelhos

Taciano
No início da história do cristianismo, alguns críticos alegaram que os Evangelhos contradiziam uns aos outros e que por isso seus relatos não eram confiáveis. O escritor sírio Taciano (cerca de 110-180 EC) veio em defesa dos Evangelhos. Ele achava que todas as supostas contradições desapareceriam se eles fossem habilmente harmonizados e ajuntados num único relato em vez de quatro.
Taciano decidiu escrever esse relato. Não se sabe se o original foi escrito em grego ou em siríaco. Seja como for, por volta de 170 EC, ele terminou seu trabalho conhecido como Diatessaron, palavra grega que significa “por meio [dos] quatro”. Por que você deveria se interessar por essa obra não inspirada?
No século 19, os críticos começaram a promover a ideia de que nenhum dos Evangelhos tinha sido escrito antes de meados do segundo século EC e, por isso, tinham pouco valor histórico. No entanto, dessa época para cá, foram descobertos antigos manuscritos da obra Diatessaron que dão provas indiscutíveis de que os quatro Evangelhos — e só os quatro — já eram bem conhecidos e aceitos como conjunto em meados do segundo século EC.
A descoberta da obra Diatessaron e de comentários sobre ela em árabe, armênio, grego e latim levaram o erudito bíblico Sir Frederic Kenyon a escrever: “Essas descobertas finalmente eliminaram quaisquer dúvidas sobre o que era o Diatessaron e provaram que por volta de 170 a.D. os quatro Evangelhos canônicos indiscutivelmente eram mais importantes do que todas as outras narrativas sobre a vida de nosso Salvador.”

A Bíblia realmente é a Palavra inspirada de Deus

O QUE o apóstolo Paulo queria dizer exatamente quando falou que a Bíblia é “inspirada por Deus”? (2 Timóteo 3:16) Escrevendo em grego, ele usou uma palavra cujo sentido literal é “soprado por Deus”. Com isso, Paulo estava dizendo que Deus, por meio de seu espírito santo, orientou os escritores da Bíblia a escrever apenas o que Ele queria que escrevessem.
Esses escritores da Bíblia “falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo”, disse o  apóstolo Pedro. (2 Pedro 1:21) Por isso, o apóstolo Paulo também podia descrever os livros da Bíblia como “os escritos sagrados, que te podem fazer sábio para a salvação, por intermédio da fé em conexão com Cristo Jesus”. — 2 Timóteo 3:15.
Um bom número de pessoas questiona com vigor a ideia de que Deus é o autor da Bíblia. Os críticos, muitas vezes demonstrando o que o arqueólogo Sir Charles Marston descreveu como “arrogante desconsideração pela narrativa da Bíblia”, têm feito fortes ataques à sua integridade. Alguns a descartam como mera “coleção antiga de mitos e contos de fada”.

Considere as evidências

Como você determina se vai confiar ou não em alguém que acabou de conhecer?
Então, será que podemos confiar na Bíblia? É importante que você considere bem esse assunto. Por quê? Porque se a Bíblia realmente contém uma mensagem do próprio Deus, seria tolice — e até fatal — ignorá-la. O grau de influência que ela terá em suas ações e na formação de suas crenças será bem menor se você a encarar como mera palavra de homens e não como a Palavra de Deus. — 1 Tessalonicenses 2:13.
Como você pode chegar a uma conclusão? Por exemplo, como você determina se vai confiar ou não em alguém que acabou de conhecer? Uma coisa é certa: é muito difícil confiar plenamente em alguém de quem sabemos muito pouco. Só quando conhecemos bem a pessoa é que descobrimos com o tempo se ela é mesmo honesta e confiável. Você pode conhecer a Bíblia da mesma forma. Não aceite de imediato qualquer teoria especulativa ou até mesmo preconceituosa que enfraqueça sua confiança na Bíblia. Tome tempo para considerar as evidências que apoiam a afirmação da Bíblia de ser “inspirada por Deus”.

Ataques de “amigos”

Não se deixe influenciar pelo fato de que até mesmo alguns que se dizem “amigos” da  Bíblia afirmam que ela não é autêntica nem confiável. Hoje, a maioria dos comentaristas bíblicos, apesar de se considerarem cristãos, “só falam das Escrituras como sendo um relato humano”, diz o The New Dictionary of Theology (Novo Dicionário de Teologia).
Muitos teólogos questionam a autoria dos livros da Bíblia. Por exemplo, alguns dizem que o profeta Isaías não escreveu o livro de Isaías. Dizem que esse livro da Bíblia foi escrito muito tempo depois dos dias do profeta. A obra Concise Bible Commentary (Comentário Conciso da Bíblia), de Lowther Clarke, argumenta que ele é “o produto de muitas mentes e de muitas gerações”. Mas afirmações como essas não levam em conta o fato de que Jesus Cristo e seus discípulos muitas vezes declararam que foi Isaías quem escreveu o livro que leva o seu nome. — Mateus 3:3; 15:7; Lucas 4:17; João 12:38-41;Romanos 9:27, 29.
Pior ainda, alguns críticos da Bíblia, como o comentarista J. R. Dummelow, dizem que as profecias do livro de Daniel “na verdade aconteceram antes e foram escritas depois pelo autor como se fossem predições antigas”. Mais uma vez, ao dizerem isso, eles desconsideram o testemunho do próprio Jesus Cristo. Jesus alertou contra o que ele chamou de “a coisa repugnante que causa desolação, conforme falado por intermédio de Daniel, o profeta”.(Mateus 24:15) Será que faz sentido um cristão acreditar que o próprio Jesus Cristo participou nessa mentira — que ele apoiou uma história disfarçada de profecia? É claro que não.

Faz alguma diferença?

Você talvez pergunte: “Mas faz realmente diferença quem escreveu os livros da Bíblia?” Sim, faz uma grande diferença. Que valor você daria a um documento que em princípio parece ser o testamento de um amigo se ficasse sabendo que na verdade não foi ele que o escreveu? Imagine que peritos dissessem a você que o documento é falso — que amigos bem-intencionados haviam colocado por escrito o que eles acreditavam ser os desejos de seu amigo. Isso não desvalorizaria o documento? Poderia você confiar realmente que ele contém os desejos de seu amigo?
O mesmo se dá com a Bíblia. Não é de admirar que tantas pessoas, incluindo muitas que se dizem cristãs, não hesitem em ignorar o que ela diz sobre assuntos como honestidade, imoralidade sexual e outros. Você já deve ter ouvido várias pessoas dizer de modo depreciativo coisas como “Ah!, mas isso está no Velho Testamento!” — como se ele tivesse pouco valor. E isso apesar de o apóstolo Paulo ter descrito o chamado Velho Testamento como “os escritos sagrados”, ‘inspirados por Deus’.
“Mas você não pode simplesmente desconsiderar as evidências apresentadas por especialistas e eruditos”, talvez diga. É claro que não! Somos muito gratos, por exemplo, pelo trabalho honesto de eruditos que têm nos ajudado a identificar o texto original da Bíblia. É verdade que pequenos erros aos poucos se introduziram no texto da Bíblia à medida que ele era copiado vez após vez ao longo dos séculos. Mas lembre-se do seguinte: Há uma grande diferença entre reconhecer a  existência de pequenos erros nas cópias do texto bíblico e descartar a Bíblia inteira como invenção humana.

Não perca a fé nos “escritos sagrados”

Somos muito gratos pelo trabalho honesto de eruditos que têm nos ajudado a identificar o texto original da Bíblia
Um pouco antes de dizer que a Bíblia é inspirada por Deus, Paulo explicou a Timóteo por que esse registro inspirado é tão importante. “Nos últimos dias”, disse ele, “os homens iníquos e os impostores passarão de mal a pior, desencaminhando e sendo desencaminhados”. (2 Timóteo 3:1, 13) Já nos dias de Paulo pessoas aparentemente ‘sábias e intelectuais’ usavam “argumentos persuasivos” para enganar outros e enfraquecer sua fé em Jesus Cristo. (1 Coríntios 1:18, 19;Colossenses 2:4, 8) Visando proteger Timóteo contra essa influência, o apóstolo Paulo o exortou a ‘continuar nas coisas que tinha aprendido desde a infância por meio dos escritos sagrados’ providos por Deus. — 2 Timóteo 3:14, 15.
Também é muito importante que você faça o mesmo nestes “últimos dias”. Não subestime o perigo de ser desencaminhado por argumentos, muitas vezes bem persuasivos, apresentados por pessoas inteligentes. Em vez disso, como faziam os cristãos do primeiro século, proteja-se por confiar plenamente no que você aprende nas páginas da Bíblia — sem dúvida a inspirada Palavra de Deus.
As Testemunhas de Jeová terão prazer em ajudar você a desenvolver fé na Bíblia. Elas podem mostrar, por exemplo, como os princípios da Bíblia têm se mostrado inteiramente confiáveis ao longo da história, como a Bíblia está em harmonia com a ciência no que diz respeito a assuntos científicos, como ela é totalmente coerente do começo ao fim, como suas profecias sempre se cumprem, e muito, muito mais. Se desejar, fique à vontade para escrever aos editores desta revista para obter mais informações — informações essas que têm ajudado milhões de pessoas sinceras a ver que a Bíblia realmente é a Palavra de Deus.

A Bíblia — É mesmo “inspirada por Deus”?

VOCÊ acredita que a Bíblia é a Palavra de Deus? Ou acha que ela não passa de um livro com ideias e pensamentos de homens?
Muitos, incluindo alguns que se dizem cristãos, têm dúvidas de que a Bíblia é um livro de Deus. Em 2014, uma pesquisa feita nos Estados Unidos pelo Instituto Gallup revelou algo interessante. A maioria dos que se dizem cristãos acredita que a Bíblia “está ligada a Deus de alguma maneira”. Mas 1 em cada 5 entrevistados acha que a Bíblia é um livro de “fábulas antigas, lendas, histórias inventadas e ensinamentos escritos por homens”. As diferentes opiniões sobre a Bíblia nos levam a uma pergunta: o que a Bíblia quer dizer quando afirma que é “inspirada”? — 2 Timóteo 3:16.

“INSPIRADA”: O QUE ISSO QUER DIZER?

A Bíblia é formada por 66 livros pequenos. Esses livros foram escritos por 40 homens num período de 1.600 anos. Mas, se a Bíblia foi escrita por homens, em que sentido ela foi “inspirada por Deus”? Basicamente, no sentido de que Deus é a Fonte das informações que temos na Bíblia. Em 2 Pedro 1:21, a Bíblia explica: “Homens falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo.” Em outras palavras, Deus usou seu espírito santo, uma poderosa força invisível, para transmitir sua mensagem aos escritores da Bíblia. Pense num empresário que dita uma carta para seu secretário escrever. O autor da carta não é o secretário, mas o empresário, que dita o que deve ser escrito. Deus fez algo parecido ao inspirar a escrita da Bíblia.
Alguns escritores da Bíblia ouviram a mensagem de Deus transmitida por meio de um anjo. Outros tiveram visões e, em alguns casos, sonhos. Às vezes, Deus transmitia sua mensagem palavra por palavra. Outras vezes, ele permitia que os escritores usassem suas próprias palavras para escrever a mensagem dele. Mas, em todos os casos, eles escreveram os pensamentos de Deus, não os seus próprios.
Como podemos ter certeza de que foi Deus quem inspirou os escritores da Bíblia? Vamos ver três características da Bíblia que provam que ela é mesmo a Palavra de Deus.

De quem é a culpa?

Se Deus não é o culpado pelo sofrimento, então por que o mundo está cheio de guerras violentas, doenças terríveis, desastres naturais, fo...